segunda-feira, 30 de maio de 2016

On the bus, part I (29/05/16)

A chegada a Ica após 4 horas de viagem foi violenta. Todos os viajantes vinham dormindo o sono dos justos (ou dos jetlegados), quando de repente o autocarro trava, as luzes acendem, e uma voz estridente grita algo que não consigo perceber. Com um olho aberto e outro fechados saímos aos tropeções. Uma chamada rápida para o hostel informou-nos que o senor José estaria em breve na estação para nos buscar. Surgiu a dúvida depois de como o reconheceríamos. Segundo os guias e várias pessoas, incluindo uma senhora simpática que nos viu na estação com um ar perdido/adormecido, não é boa ideia apanhar qq táxi, e que a artimanha de dizerem que são o transporte que foi enviado pelo hostel também é frequente.  Depois os neurónios começaram a comunicar uns com os outros e nos apercebemos que éramos os únicos totós cheios de mochilas na estação de Ica à meia noite...
 Depois de mais um jogo de tetris (com direito a batota, duas malas foram amarradas ao tejadilho), seguimos em direcção ao hostel. A cidade à noite não se deixa conhecer, mas lembrava-me um pouco Minas Gerais profundo. Casas térreas, muito tijolo, grades nas entradas. Nao deixou grande impressão, apenas que o hostel parecia estar longe de tudo. Nada de novo, já o sabíamos pela pontuação do booking...  O hostel foi uma boa surpresa, um edifício novo, com uma decoração meio casa de meninas/angolana (striving for design but not quite getting there) e pasme-se, ao contrário de um quartinho simpático com 2 beliches, tivemos direito a um apartamento com 2 quartos, wc, sala e cozinha, por meros 27€/noite. Total, não por cada um. Não percebi a razão do upgrade, mas também não ia reclamar.
 Enquanto desempacotavamos as malas, primeiro stress a sério da viagem (para além dos meus aneurismas e úlceras  por não ter tudo tudo tudo organizado): o e-reader da minha intrépida companheira de viagem tinha ficado na bolsa do autocarro. Tentamos ligar para a companhia, mas nenhum número funcionava/atendia. Em versão Hail Mary Pass fomos acordar o senor José e pedir-lhe para nos levar novamente à estação para tentar ver se conseguíamos recuperar o precioso bem (viagem sem livro sucks). Uma vez lá, arranhando um portunhol e fazendo muitos gestos, o segurança acabou por compreender o que queriamos. Festival de boa sorte: o autocarro ainda estava na estação (era a estação terminal), ainda não tinha sido limpo, e o e-reader lá  estava, quietinho, à espera da dona. Mais um episódio para provar que os deuses querem que esta viagem corra bem. Ou que talvez estejam apenas a enganar-nos para já e depois nos façam rolar pelas escarpas do caminho inca abaixo como sacrifício humano...

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