quinta-feira, 16 de junho de 2016

I'm too sexy for my rocks (08/06/16)

Conforme acordado no dia anterior, o  esperava-nos à porta do hotel prontamente às 8h. Por sua sugestão começamos por Saqsaywaman , para depois seguir para as restantes ruínas próximas de Cusco, indo contra o itinerário habitual das tours.
Saqsaywaman, mais conhecido entre os turistas como "sexy woman", fica a minutos de Cusco, no topo de uma montanha, ocupando uma área enorme. Dada a dimensão e importância do local, decidimos contratar um guia no local (60 soles, melhor negócio que em Ollantaytambo). Marcos era um verdadeiro showman, mistura de guia, filósofo, comediante, conselheiro matrimonial e curandeiro. Com a revolta subjacente dos indígenas, explicou que Saqsaywaman era um local de culto religioso e uma universidade, e o que sobrava (cerca de 45%) era apenas o que os espanhóis não conseguiram destruir. A construção dividia-se em 2 colinas. Uma tinha a forma de uma tartaruga, e representava o feminino, a Pachamama, o negativo, e a outra, onde se encontrava a torre de observação astronómica e a torre de armazenamento de alimentos (só se via as pedras da fundação, delineando os edifícios) o masculino, positivo. Entre as duas colinas, um corredor em forma de raio, construído com pedras enormes, na já habitual arquitectura perfeita, representando a Via Láctea. Ao longo do corredor foi nos apontando várias pedras ou conjuntos especiais, umas formando animais (como a pata do puma e o lama), outras com significado filosófico pelo número de ângulos e pedras à volta. Muito interessante. Durante a visita conseguiu também explicar como se tratam dependências (andar 10km todos os dias), como resolver os problemas do parto ou ejaculação precoce apenas com a respiração, e que os homens não devem dar muito espaço às mulheres, senão elas saiem de casa e tomam conta do mundo. Pérolas de sabedoria.
Depois de duas horas e muita informação, seguimos para as ruínas seguintes, que literalmente ficam ao fundo da mesma estrada. Tambo Machay parece ter sido um templo dedicado ao culto da água: duas fontes engraçadas, demasiado sol, pouca paciência, segue para o próximo. Puca Pukara, a fortaleza vermelha, parece ter sido um local de abrigo para expedições de caça. Com o nervoso miudinho por começar o caminho inca no dia seguinte e honestamente já cansados de ruínas, acabamos por dar uma volta rápida e passar metade do tempo a tirar fotos parvas.
O Sr H levou-nos então de volta à civilização, directamente para o mercado de San Pedro. Despedimo-nos então do nosso motorista/guia turístico, e entramos no turbilhão do mercado. Aí vendia-se de tudo: carne, peixes, vegetais, fruta, brinquedos, roupa e turistices. Aproveitamos para comprar frutos secos (nozes de pecan, nunca tinha visto inteiras!) para dar energia durante a caminhada. E de acordo com a sugestão da senhora da Amazon Trails, folhas de coca (o que foi particularmente irónico, tendo em conta que um de nós faz consulta de dependências). Depois perdemo-nos a comprar lembrançinhas durante uma hora. Quando a fome apertou, ainda ponderamos almoçar nas bancas do mercado (tem uma zona tipo praça da alimentação), mas achamos melhor não arriscar na véspera do Caminho Inca.
Almoço no Mac, pós almoço no Starbucks, que viajantes às vezes também tem de ser turistas. Fiquei aí a escrever postais enquanto os restantes elementos foram procurar os últimos pormenores para a mala da caminhada. Daí seguimos para os briefings das tours, que isto é uma coisa séria.
Primeiro um briefing com o guia do Caminho Inca, Carlos, que nos explicou como seria o trajecto de cada dia, o que era essencial nas mochilas, e acima de tudo descansou-nos explicando que como éramos poucos os porteros iriam levar os sacos cama e colchões (qualquer grama a menos nas costas é uma vitória). Quando questionado sobre o que aconteceria em caso de acidente, explicou-nos que até ao segundo dia há povoações no caminho, mas que a partir do Paso de la Mujer Muerta é o point od no returno, porque não há burros, cavalos, nada. Ok, ligeiramente assustador.
Seguiu-se o briefing sobre Manu, a nossa aventura na selva. O Miguel foi muito relaxado, explicou-nos o que era essencial (repelente de insecto, botas e pouco mais), e deixou logo bem claro que íamos só ao início da selva, numa zona com povoações, e que íamos ver pássaros, insectos e plantas, que não valia a pena estarmos à espera de mais. Mesmo sabendo isso de antemão, fiquei um pouco triste. Mas para ver bichos à séria é preciso mais tempo, ir mais para dentro da selva, e esta viagem não poderia dar para tudo. Fica o plano mental de passar um mês no pantanal/floresta amazónica um dia destes.
Com tudo orientado, fomos finalmente ultimar a lista de compras (roupa interior quente para a mulher da serra, que estava cheia de medo de ter frio, bolachas e chocolates). Já com tudo, fomos fazer as malas, a pensar e repensar cada item, a contar as gramas. Depois jantar de pizza para dar energia, e cama, que o despertar era para não variar cedissímo.

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