quinta-feira, 16 de junho de 2016

Inca trail, part I: Training Day (09/06/16)

Finalmente chegou o dia de partirmos para o caminho inca. A excitação pré visita escolar mal nos deixou dormir, e às 05:35, dez minutos antes da hora, já estávamos todos prontinhos à porta do hotel.
Primeiro uma viagem de hora e meia até Ollantaytambo com o nosso guia, Carlos, e o cozinheiro Jorge. Trajecto feito a dormir na sua totalidade, acordei já na praça principal. Em meia hora tomamos um desayuno reforçado, compramos os rebuçados de coca que andávamos a cobiçar há vários dias (por 4x o preço do mercado, que quem muito escolhe pouco acerta...), e voltamos a partir. Desta vez em direção ao Km 82, onde começam os treks para o caminho inca.
Aí nos juntamos ao resto da tripulação, os 8 porteros (2 para cada caminhante). Por estarmos um pouco atrasados não foram feitas apresentações. No entanto, ao vê-los dividir entre si toda a bagagem necessária para os quatro dias de caminho (e que não é pouca, tendas, mesas, víveres, panelas, camping gás, uma pequena cidade ambulante), tive um acesso de culpa por ter pago extra para carregarem também grande parte da minha tralha. Mais ainda ao ver os caminhantes do grupo ao lado com 60 e muitos e tudo às costas. Mas lá acalmei a minha white guilt com a certeza de que o peso extra, dividido entre todos não incomodava muito,  que o dinheiro extra seria seguramente bem recebido, e que assim aumentava exponencialmente as minhas hipóteses de chegar ao fim.
Depois de tudo arrumado, passo seguinte: pesagem. Os porteros não podem levar mais de 25 kg cada um (actualmente, porque existem leis que os protegem, até há uns anos eram 45, 50kg). Em seguida, apresentação de papéis, as licenças necessárias para entrar no caminho. Tudo muito regulamentado. Apenas 500 pessoas, contando com guias e porteros, podem iniciar o caminho por dia. Daí a necessidade de reservar com tanta antecedência (ponto para control freak me).  
E às 09:30, começamos finalmente a andar. O trajecto do primeiro dia segue o curso do rio Urubamba, inicialmente na margem, e posteriormente no alto do vale, com o rio lá embaixo. A parte inicial mais árida, e progressivamente mais verde. Apesar de vários grupos  iniciarem o caminho ao mesmo tempo não há sensação de demasiado tráfico humano. Os porteros ultrapassam-nos  logo ao início, a uma velocidade assustadora para quem leva tal volume às costas. E depois ficam só os turistas, a várias velocidades.
O primeiro dia serve para o guia avaliar o grupo e decidir o passo dos restantes dias. Nós nos portamos bastante bem na primeira etapa (dah, no plano e ainda manhã fresquinha), mas isto não se vai manter muito tempo...
Ainda durante a manhã paramos na primeira ruína inca, Patallacta. Na verdade não paramos bem na ruína, mas sim no cimo de um monte a olhar para as ruinas lá em baixo. Boa maneira de preservar do desgaste produzido pelos turistas...
Depois seguimos mais uma hora, até pararmos para o almoço num local muito pitoresco, lembrava a aldeia do Astėrix. Ao lado do rio, com várias casas com telhados de colmo, e animais à solta por todo o lado: galinhas, patos, porcos e burros. Uma das maneiras que nos apercebemos que a companhia que organizou o trail é pobrezinha mas honesta foi pela localização dos acampamentos. Havia uns à beira rio, na sombra, e o nosso um pouco mais distante, mais pequenino e ao sol. Quando chegamos os porteros já tinham montado a tenda para o almoço. Belissíma refeiçåo, uma sopinha de vegetais e truta panada. Seguida de uma bela sesta...
Logo voltamos à trilha, passando por várias pequenas povoações, sempre beirando a água. Por voltamos das cinco, com 11km palmilhados, chegamos ao local do acampamento. Ficava no meio de uma aldeia, naquilo que já deve ter sido um campo de cultivo. Naquela zona só estavámos nós. Num minutinhos os porteros montaram tudo, tenda de convivio e as nossas. Tivemos alguns minutos para descansar, e às cinco e meia serviram o "tea", que consistia em toreadas e uma montanha de pipocas. Mal tivemos meia hora para jogar Dobble, já nos estavam a chamar para o jantar. Pollo con arroz y vegetables, muy bueno. E depois ida ao wc ecológico, porque os do local não eram muito convidativos (após vê-los o quarto elemento requirou toda a reserva de Imodium para se certificar que não teria necessidade de usá-los). Fazer xixi na natureza à luz vermelha da lanterna de cabeça (mais discreta) não é uma experiência que se esqueça...
E novo recorde, a dormir na tenda às 19:30, para ganhar fôlego para aquele que é o pior dia do caminho, o segundo.

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