segunda-feira, 6 de junho de 2016

Old McDonald had a farm (05/06/16)

  Nada como acordar antes do despertador com a sensação de uma noite bem dormida. Mesmo que isso seja às 06:05 da manhã, 5 minutos antes da hora programada...
Mochilas arrumadas, pequeno-almoco tomado, lá seguimos de táxi em direção ao terminal terrestre, para apanhar o autocarro para Cusco. Outra vez check in semelhante ao do avião, com pesagem das malas e verificação de passaporte. Na entrada do autocarro, malas revistadas e foto tirada por câmara de segurança. Seria menos incomodativo se não tivesse a sensação que tudo isto serve apenas para facilitar a identificação do cadáver se o autocarro cair desfiladeiro abaixo...
Mesmo em 2a classe o conforto era muitas vezes superior ao de qualquer avião (classe económica, o resto não posso falar com conhecimento de causa). Assentos largos, mantinhas, bancos reclináveis 150o, e o festival do Bradley Cooper dublado em espanhol na TV (aquele em que ele é um chef, e o último do Cameron Crowe, ambos sofríveis).
Domingo era dia de eleições, segunda ronda entre Keiko Fujimori (filha do ex-presidente que está na prisão por crimes contra a humanidade) e Pedro Pablo Kuczynsky (ex-primeiro ministro). Ao que parece esperava-se uma disputa renhida. Daquilo que nos fomos apercebendo durante a viagem, a campanha eleitoral foi agressiva, com manifestações de um lado e outro. Portanto, foi declarada lei seca durante as votações, e a presença policial (que por norma aqui já se faz sentir em todo o lado) foi aumentada. Espreitando pela janela ao longo da viagem fui vendo alguns postos de votação. Parece que o país veio votar em peso, ou votam muito devagar, para explicar as filas na rua.
Quanto à paisagem, montanhas interrompidas irregularmente por casebres. Do castanho amarelado foram passando para verde à medida que nos aproximamos do destino.
A periferia de Cusco não se distingue de todas as outras cidades peruanas, o habitual mix de tijolo a mostra, vigas no telhado e ruínas urbanas. Mas logo depois se transforma numa cidade muito agradável, organizada, limpa, com edifícios antigos bem conservados e edifícios novos que não destoam do feel geral da cidade.
Tivemos oportunidade de conhecer pelo menos o centro logo que chegamos. De todos os locais onde ficamos, este foi o primeiro que não enviou transfer (nem a pagar!), portanto tivemos que nos virar com os táxis locais. Mostramos a morada ao senhor, regateamos um pouco o preço, e lá partimos. Discretamente, também ligamos o GPS, just to make sure. O que valeu a pena, uma vez que o senhor resolveu que nos iria levar à Plaza de Armas e não ao hotel. Quando lhe chamamos a atenção de que o hotel era para outro lado, fez um ar muito surpreendido, e disse que tinha que dar uma grande volta para lá chegar. Temos pena. Tivemos assim oportunidade de conhecer as duas praças principais e outras ruas do centro, no meio de um trânsito chato de domingo à tarde. Ao deixar-nos finalmente no hotel ainda comentou que merecia uma gorjeta pelo passeio turístico. Haha.
O hotel fica numa rua meio escondida, à distância ideal do centro para ser barato mas ainda estar numa zona aceitável.
Check in feito, desesperados de fome (já eram quatro da tarde, e o almoço do autocarro, embora simpático, foi uma mini sandes às 12:30), partimos em busca do Eldorado: McDonalds. Em todas as viagens há sempre um momento em que se quebra, e o nosso foi este. Para todos os efeitos podíamos usar a desculpa de que na realidade queriamos apenas averiguar o índice Big Mac. Mentira, queriamos era hambúrguer gorduroso com coca cola e batatas fritas. E McFlurry de sobremesa. 
Em nossa defesa, o Mac fica na Plaza de Armas, num bonito edifício colonial, e uma vez satisfeitos (até demais), seguimos para conhecer a cidade com calma.
A Plaza de Armas é impressionante, com a Catedral de um lado (ladeada por duas igrejas mais pequenas) e na aresta seguinte do quadrado, a Igreja da Companhia de Jesus. Ambas imponentes, de uma pedra que não consigo reconhecer mas tem cor de adobe. O que não é igreja é edifício colonial fofinho com dois andares e "balcones" de madeira trabalhada impecavelmente conservados. Andar de cima restaurantes, andar de baixo lojas. Em modo stealth, quase difícil de identificar, Mac, Starbucks e KFC, sem os habituais sinais gigantes. No meio da praça, uma fonte indecisa, com um inca dourado e prateado no topo, mas tritões a apoiarem a base. E por todo o lado as bandeiras do arco- íris. Não, não se trata de apoio ao sector LGBT. Antes de ser adoptada por este grupo já era bandeira oficial de Cusco. Algum turistas esperto de São Francisco nos anos 80/90? Na verdade, toda a cidade se prepara para o aniversário, dia 24/06, que é também a festa do Sol. Ou so we were told...
Resto da tarde até à hora do jantar foi passado vagueando sem rumo pela cidade, apreciando os edifícios, as pessoas, as lojas, e notando a ausência auspiciosa de bandas inca na rua.
Quando as pernas já não aguentavam mais, fizemos o caminho de volta para o hotel, parando naquela que se tornaria o nosso quartel general: pastelaria Valeriana. Hipster fofo, com bons chás e bolos muito mais apetecíveis que saborosos, mas enfim, os olhos também comem. Cházinho para aquecer, enpanada de cogumelos para aconchegar o estômago, e caminha, porque a vida de turista não é fácil.

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